RSU e Clima

Por ProteGEEr, publicado em 16.11.17, última modificação em 12.08.21

Como os resíduos sólidos urbanos (RSU) influenciam as mudanças climáticas?

Antes mesmo de se tornar um resíduo, qualquer produto passa por processos industriais de transformação, desde suas matérias-primas até sua utilização pelo consumidor. Portanto, há emissões de GEE ao longo de todo o ciclo de vida do produto.

Ciclo de vida: etapas de desenvolvimento do produto, desde a obtenção de matérias-primas e insumos até a manufatura, o consumo, o descarte e a valorização que permite o retorno de materiais ao processo produtivo.

O processo de gerenciamento de RSU é passível de gerar impactos ao meio ambiente principalmente no que diz respeito às alterações sobre a atmosfera no âmbito global. A figura a seguir exemplifica algumas etapas do gerenciamento dos RSU e suas potenciais emissões e fontes geradoras de energia.

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Crédito da imagem: Marcelo Ronald Lucena da Silva

Os principais GEE emitidos ao longo do gerenciamento de RSU são o CO2 (dióxido de carbono), o CH4 (metano) e o NOx (óxidos de nitrogênio). O metano é proveniente da decomposição anaeróbia no tratamento por digestores e na disposição em aterros, e os óxidos de nitrogênio provêm do tratamento biológico, da compostagem e da incineração.

As etapas de transporte e disposição final representam a maior parcela de geração de GEE do setor. Numa escala global, o setor de resíduos contribui pouco para as emissões de GEE, representando 3% a 5% do total de emissões antropogênicas em 2005, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - UNEP.

No Brasil, o setor de resíduos responde pela menor parcela de emissões no Brasil. De acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), em 2019, o setor foi responsável pela emissão de cerca de 96 milhões de toneladas de CO2 e, um discreto aumento (1,3%) em relação ao ano anterior. Do total apresentado, a maior parte da contribuição está associada à disposição de resíduos sólidos em aterros controlados, lixões e aterros sanitários (65%), seguida pelo tratamento de efluentes líquidos domésticos (26%), tratamento efluentes líquidos industriais (7%), incineração ou queima a céu aberto (2%) e, com menor contribuição, o tratamento biológico por meio de compostagem (<1%).

No caso dos aterros sanitários, os GEE continuam sendo emitidos mesmo depois do encerramento das operações, ou seja, mesmo depois de o aterro não estar mais recebendo os rejeitos. Isso decorre do lento processamento das reações químicas e bioquímicas, podendo levar anos até a total degradação dos resíduos.

Como proteger o clima a partir da gestão de RSU?

O setor de resíduos tem a capacidade única de deixar de ser uma fonte geradora de GEE e se transformar no principal setor apto a poupar essas emissões, por ter um potencial de curto a médio prazo para a implementação de medidas que reduzam as emissões de GEE.

Com a abordagem da gestão integrada de RSU, as emissões de GEE podem ser poupadas em toda a cadeia produtiva – desde a extração de matérias-primas, passando por manufatura e transporte, até chegar ao consumidor. Práticas como a não geração de resíduos e o aumento da reciclagem podem levar indiretamente à redução das emissões de GEE, pois evitam a fabricação de novos produtos, economizando assim energia e recursos.

O aterro sanitário é considerado um método de disposição final. As emissões de metano são geradas pela decomposição das frações orgânicas presentes no RSU. Representa a maior fonte de impacto do setor de resíduos para o aquecimento global. GEE emitidos: CH4 e CO2.

A captura dos gases por um sistema de tubulação pode levá-los até uma estação de tratamento. Nela, os gases podem ser queimados a fim de emitir apenas o CO2, que é menos nocivo ao aquecimento global, ou aproveitados como fonte de energia térmica ou elétrica.

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos e o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) são os principais instrumentos que contêm as diretrizes e recomendações necessárias à implementação da PNRS e da Política Nacional de Saneamento Básico (PNSB). Se implementadas, essas políticas podem contribuir para evitar ou reduzir as emissões de GEE:

  • induzindo a compostagem da fração orgânica dos RSU;
  • gerando energia por meio do aproveitamento dos gases provenientes da biodigestão de compostos orgânicos e dos gases provenientes de aterros sanitários e estações de tratamento (biogás);
  • reduzindo os resíduos recicláveis em aterros;
  • diminuindo a geração de resíduos sólidos.

 

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