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Quantificação de emissões de GEE na gestão de resíduos no Brasil

Por ProteGEEr, publicado em 25.09.18, última modificação em 01.10.18

Treinamento para apoiar políticas públicas foi realizado em Brasília

Atualmente, uma parcela dos gases de efeito estufa (GEE) emitidos no Brasil vêm do setor de resíduos, de acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG). Este monitoramento é essencial para compreender a importância de ações em resíduos para a proteção do clima a partir do potencial de redução da emissão destes gases.

Por isso, o projeto ProteGEEr realizou, nesta terça e quarta-feira (25 e 26), a última etapa do treinamento Ferramentas de quantificação de emissões de GEE no setor de RSU: Abordagem do Modelo IPCC 2006 e Modelo de Análise do Ciclo de Vida (ACV). O encontro visa aprimorar o entendimento sobre as ferramentas de quantificação das emissões dos gases e como elas podem apoiar a tomada de decisões para políticas públicas na gestão de resíduos, com a perspectiva do clima.

O encontro foi realizado em Brasília e mobilizou representantes e técnicos do Ministério das Cidades; Ministério do Meio Ambiente; Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; ICLEI; GIZ; Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais e Clean Air Coalition (Abrelpe/CCAC); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); Confederação Nacional de Municípios (CNM); Carbon Disclosure Project (CDP); Fundação Nacional de Saúde (Funasa); Methanum e universidades parceiras do projeto.

De acordo com Karina Araújo Souza, analista de infraestrutura da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA) do Ministério das Cidades, o evento é importante para “entender essas ferramentas, que apoiam na quantificação das emissões, pois ajudam a enxergar as ações que podem ser tomadas para diminuir as emissões ou recuperar os gases emitidos ou reverter as emissões”. Segundo Karina, as ferramentas e debates ajudam não apenas a localizar pontos críticos do setor, mas também a elaborar propostas para o futuro.

Para o ProteGEEr, este é o momento de definir conjuntamente estratégias de mitigação de GEE, que serão objeto de análise e servirão de base para as próximas ações do projeto, buscando uma gestão mais sustentável no Brasil.

 

Abordagem do modelo IPCC 2006 e Modelo de Análise do Ciclo de Vida (ACV)

Existem diversas ferramentas e métodos para auxiliar o gerenciamento dos resíduos, levando em consideração o potencial dessa gestão da redução das emissões de GEE. Para isso, as ferramentas precisam, primeiramente, calcular as emissões, para avaliar e comparar os potenciais de mitigação dos gases neste setor.

Durante a capacitação, duas abordagens específicas foram trabalhadas, pois contribuem diretamente para as estratégias nacionais na gestão de resíduos e para as visões do Plano Nacional de Resíduos Sólidos e o Plano Nacional de Mudança Climática.

A primeira metodologia, amplamente utilizada internacionalmente, é a do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para a elaboração de inventários nacionais. A outra abordagem é pela Análise do Ciclo de Vida, que apresenta uma visão integrada e é focada no fluxo de materiais, desde a extração da matéria prima até a disposição final. Sob esta ótica, considera-se todas as emissões decorrentes do gerenciamento completo dos resíduos. O uso conjunto das abordagens permite uma visão mais clara das contribuições do setor de resíduos para a mitigação das emissões de GEE.